“Navegar é preciso”. Quem de nós nunca ouviu esta frase? A nós,
navegadores, é preciso encará-la em dois sentidos: “preciso” como
sinônimo de “necessário”, é o jeito que a maioria das pessoas
interpreta. Realmente é necessário navegar, senão não chegamos a lugar
nenhum, mas não é neste sentido que quero debater. Falarei sobre o
“preciso” sinônimo de exato. Ou seja, navegar com precisão, com
exatidão.
Para quem não conhece ou nunca se aventurou na modalidade, diria que
após um bom curso já saberia navegar. É somente decorar toda simbologia,
aprender a interpretar curvas de nível, plotar o mapa, trabalhar com
escalas e declinar. Sem dúvida orientar envolve tudo isso e um pouco
mais. Aliás, pouco não. Muito mais. Um dos pontos que quero frisar é a
necessidade de trabalhar-se com precisão.
Sempre alerta - Em navegação, nós temos que tentar eliminar todas
os erros possíveis. Assim, a possibilidade de acertarmos aumenta. E,
para isso, é necessário saber onde eles podem estar. Em cada um dos
instrumentos utilizados para navegação nós podemos estar cometendo algum
erro. E podemos estar cometendo estes erros antes mesmo da prática.
Alguns se iniciam no momento de plotar os pontos. A seguir falarei sobre
alguns dos instrumento que utilizamos e os possíveis erros:
Régua - No momento de plotarmos os pontos, ou tomarmos medida de uma
rota, precisamos atentar à régua utilizada. Procure régua de boa
qualidade. Réguas de propaganda eleitoral ou similares são “fria”, pois
possuem tamanhos diferentes (ainda que milimétricos), se deformam
facilmente com o calor, apagam as marcações e nem sempre são “retas”.
Lápis/caneta - Procure utilizar caneta/lápis de ponta fina e de
cor apropriada. Uma ponta grossa não lhe permitirá ser preciso, e uma
anotação em local ou cor inapropriada poderá cobrir ou atrapalhá-lo em
uma informação importante constante no mapa.
Bússola - Uma bússola de boa qualidade é indispensável.
Bússolas-chaveiro, bússola-caneta e outras similares não são apropriadas
para navegação. Procure uma bússola com base de acrílico, que tenha
limbo graduado móvel e uma agulha com boa “estabilidade”, ou seja, ela
não deve ficar tremendo a todo momento. Certifique-se de que não existe
nenhuma bolha nela, pois isto pode prejudicar a leitura. A agulha da
bússola movimenta-se de acordo com o campo magnético existente na terra,
no sentido N-S. Assim, a agulha também pode sofrer interferência de
outros campos. Portanto, quando for fazer leitura da bússola
certifique-se de não estar próximo a uma linha de transmissão de força,
transformadores, ou grandes massas metálicas como carros, portões,
grades, ou aparelhos elétricos, como televisão, computador e aparelhos
de som. Mantenha uma distância de cerca de 5m dos mesmos para evitar tal
interferência.
Mapa - A maioria dos mapas que utilizamos nas corridas de
aventura são em escala 1:50000 e datados dos anos 80. É difícil
encontrarmos mapas recentes e atualizados. Portanto, não é possível
confiar 100% neles. Desconfie de estradas, trilhas, plantações e
construções. O que é mais confiável são os relevo (curvas de nível) e
hidrografia (rios, lagos, mares). Cuidado também com mapas copiados.
Eles podem perder qualidade de traçado ou pequenas distorções que podem
atrapalhar.
Estes são alguns dos cuidados que devem ser tomados para navegar. Tais
detalhes podem parecer desprezíveis, mas, quando somados, podem nos
levar a um grande erro. Se não for segui-los à risca, você ao menos deve
ter conhecimento de onde podem estar os erros.

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